• bmadvog

O que é ESG e por que essa prática é “o novo normal” no mundo dos negócios?


A personagem Gabriela, do escritor baiano Jorge Amado, carrega em si a simplicidade e inocência de quem ainda está no processo de descoberta do mundo. Ao vir do sertão, Gabriela encontra obstáculos para lidar com a modernização e o progresso de Ilhéus, recusando-se a se adaptar às transformações sociais e estruturais vividas pela sociedade da época, o que irá lhe render incontáveis percalços ao longo da sua jornada.


Entoando o refrão “eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim”, Dorival Caymmi ressalta uma das principais características da personagem: a resistência ao novo e a dificuldade de se reinventar.


No mundo corporativo, entretanto, reinventar-se é preciso e estar constantemente inovando, imperativo. Aquilo se convencionou chamar de a “Síndrome de Gabriela” pode até ser visto como traços de uma personalidade determinada, mas no meio empresarial tem o potencial de causar danos irreversíveis ou, até mesmo, levar a empresa à falência.


Charles Darwin não disse que o mais forte sobreviverá, mas sim o mais adaptado. No empreendedorismo, o mais adaptado é aquele que enxerga as transformações que estão ocorrendo ao seu redor e se antecipa às novas demandas que estão por vir. É justamente esse o grande mérito e motivo do sucesso da nova onda de startups que podemos ver no Brasil e mundo afora.


Nesse sentido, sob a ótica da inovação ou, já arrisco dizer, adaptação, a adoção de práticas ESG pelas empresas passa a ser cada vez mais cobrada por todos os stakeholders que de alguma forma se relacionam com determinada empresa.

Mas afinal, o que é ESG?


Essa sigla composta por apenas três letras é a nova palavra de ordem da atualidade e significa Environmental, Social and Corporate Governance, o que no português poderia ser traduzido como “meio ambiente, social e governança corporativa”.


Basicamente, ser ESG é adotar práticas de sustentabilidade fundadas nesses três pilares, tendo como objetivo perquirir o desenvolvimento sustentável.


Assim, em atenção a essa nova tendência, pequenas, médias e grandes empresas já começaram a rever seus modelos de negócio, passando a adotar novas medidas que melhor atendam às práticas ESG.


Apenas a título ilustrativo, pode-se citar, por exemplo, que de 2018 até o presente momento, a empresa de telefonia Vivo já deu início ao seu projeto de produzir, por fontes renováveis, 80% da energia de baixa tensão que consome; a Natura expandiu a venda direta de seus produtos, promovendo a inclusão social, em especial de mulheres que atuam como suas consultoras; o banco Itaú anunciou a doação de um bilhão de reais destinados ao combate ao coronavírus; a Eternit abandonou o amianto para produzir telhas fotovoltaicas e, mais recentemente, a JBS anunciou um novo programa de sustentabilidade buscando o desenvolvimento sustentável da cadeia de carne bovina, garantindo que sua matéria prima seja proveniente de propriedades sustentáveis.


Além disso, já é possível verificar um maior engajamento dos investidores em relação às empresas que tem o desenvolvimento sustentável como mote, identificando-se mais de 30 (trinta) trilhões de dólares investidos em fundos com estratégias sustentáveis, conforme destaca a instituição financeira XP em relatório elaborado no presente ano.


Ainda, destaca a empresa global de serviços financeiros Morgan Stanley que fundos ESG tem apresentado desempenho superior quando comparado aos seus pares tradicionais, com diferença de retorno de até 3,9 pontos percentuais a favor dos fundos sustentáveis.


Diante de tudo que fora apresentado, não pode ser diferente a conclusão de que independentemente do porte da empresa, o gestor acometido pela “Síndrome de Gabriela” que escolhe ignorar o claro alerta emitido pelos mais diversos mercados mundiais será comparado aos músicos da icônica cena do filme Titanic, que continuam a tocar seus instrumentos enquanto o navio afunda. Isso porque conformar-se, de forma consistente e progressiva, com práticas ESG, não é mais futuro, mas presente.

Todos os direitos reservados - Barreto e Maia Advogados ©2018

Avenida Santos Dumont, 1.510, 14º andar, Fortaleza/CE  

contato@barretoemaia.com.br